quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Olá!


Já faz mais de 3 meses que eu passei pela Eslovênia e ainda não consegui escrever sobre tudo o que vivi lá.

Felicidade completa: com o Triglav atrás de mim e no meio da neve, pela primeira vez.

Foram 05 semanas incríveis, contando 2 em uma Fazenda Orgânica trabalhando pelo WWOOF (World Work Oportunities in Organic Farms, ou seja, trabalho em Fazendas Orgânicas em troca de hospedagem e alimentação). e 3 explorando quase todos os principais pontos de interesse em um ritmo devagar, contemplativo e intenso.

Como eu sou uma apaixonada pela natureza, eu simplesmente amei cada centímetro daquele país onde por onde se olha se vê beleza.

Tudo começou na Fazenda Kostanje (lê-se Kostânie) na cidade de Sevnica (lê-se Sêunitza), depois fui pra capital, depois fiquei indo e voltando e visitei: Velika Planina, Bled/Vintgar, Bohinj/Stara Fužina/Vogel, Postojna (lê-se Postôina) Predjama  (lê-se Prediâma), e quando pensei que tinha acabado, uma carona inesperada me levou à cidade de Piran, na costa Eslovena.
Conheci pessoas incríveis e vivi os melhores capítulos da minha viagem que durou 3 meses no total.

Predjama Castle: imperdível!

Mesmo não tendo ainda conseguido atualizar e concluir os meus relatos, convido os amigos que tiverem curiosidade a darem uma olhada aqui e conhecer um pouco dessa história.

Se você vai viajar pra Europa e não fechou o roteiro, inclua a Eslovênia, um país que além de lindo, é também barato e tem um povo maravilhoso, atencioso, prestativo... Enfim, tudo de bom!

Ah, aos poucos vou escrever mais e mais, vou contar como é a comida, o idioma e a história.

Mas de antemão te conto que  a Eslovênia fazia parte da Iugoslávia e foi o primeiro país a se tornar independente, em um  processo amistoso que durou 10 dias. O fato de não ter havido conflito permitiu ao país que se mantivesse intacto, ao contrário de seus vizinhos que sofreram pra se tornar independentes. O país possui a segunda maior área preservada da Europa.

Da capital Lubliana (Ljubljana em Esloveno) é fácil ir a qualquer lugar.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Caverna de Postojna, Castelo Predjama, Green Karst


Postojna

Estalactites poderosas da Caverna de Postojna


Postojna (lê-se Postôina) foi o útmo lugar que visitei. Lá se encontram a Caverna de mesmo nome e o Castelo Predjama (lê-se Prediâma).


Me despedi de Ljubljana e saí com destino a Postojna no ônibus das 13:30 e cheguei quase 15:00 na cidade, que me impressionou muito pela sua estrutura. Pensei que era um lugarejo que só tinha a Caverna (Postojnka Jama) e, 9km além, o Castelo. Mas me enganei, cidade em si merece uma atenção maior e a região, como eu descobri aos poucos, é riquíssima.


Chegando à cidade me dirigi a um posto de informações turísticas para perguntar onde tinha um Hostel, restaurante e o que fazer para terminar o dia, já que não ia dar pra ir a lugar nenhum àquela hora.


O atencioso rapaz (adorável como todos os eslovenos que eu conheci) me indicou o Karst Museum. Você sabe o que é Karst, ou Carste/Carso ? Eu não sabia e me apaixonei!




KARST MUSEUM

O que é Karst
“Carstecarso ou karst, também conhecido como relevo cárstico ou cársico ou sistema cárstico ou cársico, é um tipo de relevo geológico caracterizado pela dissolução química (corrosão) das rochas, que leva ao aparecimento de uma série de características físicas, tais como cavernas e etc.”
(Fonte: Wikipedia)

Basicamente, um processo químico faz com que a água se torne ácida e corroa as rochas - água mole em pedra dura, tanto bate até que fura...

E o museu? Um rico acervo geológico com explanações bem didáticas sobre o assunto. Tudo o que você precis asaber está lá. Eu aprendi, por exemplo, que as estalactites e estalagmites das cavernas crescem 1mm por ano, e isso me fez ficar ainda mais encantada com esse fenômeno geológico.

Aprendi também que aquela região tem mais de 12 mil cavernas, e a cada semana se descobrem mais duas u três. O ue eles chamam de caverna, neste caso, são galerias subterrâneas que não necessariamente são caminhos horizontais - apenas buracos, pra ser bem simplista! Mas são todos catalogados e estudados, porque novas conexões vão sendo descobertas e a pesquisa é infindável!

Conversando com o Primoz, diretor do Museu, aprendi que o estudo dessas formações geológicas começou naquela região, e no mundo todo os termos tem nomes de origem eslovena. Um mapa mostra todos os pontos com Carste ao redor do mundo – e muitos estão no Brasil!


Cavernas do Green Karst
Se você gostar muito de cavernas, vá ao Green Karst com bastante tempo e visite outros pontos de interesse da região, como a Caverna Križna (lê-se Krijna), bem menos comercial e, segundo os locais, incomparavelmente mais interessante – além de muitas outras! Eu fiquei com muita vontade de voltar pra explorar sem pressa. Minha próxima visita à Eslovênia vai começar por ali.


Caverna de Postojna  (Postojnska Jama)





A maior e mais famosa caverna da Eslovênia, mais explorada comercialmente e mais visitada da Europa, tem 24 km de galeria, com uma temperatura média constante de 18 graus – faça chuva ou sol, inverno ou verão, não muda muito, porque ali debaixo da terra é um mundo à parte, sem comunicação com o exterior.



A maior parte do passeio é feita em carrinhos sobre trilhos. Como em toda caverna desse porte, somos obrigados a usar capacete para segurança e só entramos em grupos acompanhados por guia especializado. Na entrada somos divididos por idioma e eu fiquei no grupo de inglês. Os idiomas não contemplados podem solicitar um áudio-guia (novidade: a partir de 2017 eles terão áudio-guia em português!).

Informação relevante: os friorentos desprevinidos podem alugar casacos pra se proteger do frio lá.

Após percorrer bons quilômetros no trenzinho, descemos do mesmo e andamos 1km na maior das galerias. Aí sim vem a maior graça do passeio, que é estar pertinho daquelas estalactites e estalagmites gigantescas, que ao longo de milênios se encontram e formam colunas. As esculturas nos tetos, paredes e chão são um espetáculo da natureza.

Infelizmente a câmera do celular não é muito boa quando a luz é falha, e não é possível fotografar com flash lá dentro. Meu senso de respeito não me permitiu burlar a regra.











   Como estávamos num período chuvoso, a água pingava sem parar, colaborando para o aumento daquelas formações em 1mm por ano. E pensar que tudo aquilo ali começou a se formar há bilhões de anos! E pensar que nós, seres humanos, somos tão, mas tão insignificantes e estúpidos, que chegamos há poucos milhões de anos e já transformamos pra pior tudo o que a natureza construiu em tão longos períodos de existência! Ahhhh.... mas isso é uma outra história!

   Cavernas dessa grandeza nunca foram habitadas por homens, porque a falta de luz torna inviável tal feito. Como acender uma fogueira lá dentro?

  Mas o local é habitado, dentre outros seres, pelos misteriosos Proteus, um tipo de salamandra cega típica de cavernas nessa região da Europa. No final do passeio avistamos alguns em um aquário com luz infravermelha. Como seu habitat é o escuro, não podemos fotografar com flashes pois isso afetaria seu ciclo natural de vida.


Proteus: salamandra cega do tamanho de uma lagartixa. Acreditava-se que seria um filhote de dragão (cuja mitologia está muito ligado à história eslovena, especialmente de Lubliana). Fonte da imagem: www.earthtouchnews.com

   Não deu muita graça vê-los ali em exibição! Quem quiser ver mais, ali no complexo da caverna tem uma espécie de zoológico dos Proteus. Não visitei.

   Do lado de fora da caverna há um complexo de atrativos que são até ineressantes. Um rio cercado de árvores e caminho entre elas nos convida a um passeio em família ou amigos e o Parque da Aventura, onde se pratica arvorismo, é uma boa pedida para as crianças de todas as idades.



Além disso tudo há algumas opções para se comer e, claro, muitas lojas de souvenirs.
Saindo da caverna, comi em um dos muitos restaurantes que há por ali e parti para o Castelo. Era o meu último dia na Eslovênia e eu não podia ficar de bobeira.


Trajeto para Predjama Castle



   A distância entre Caverna e Castelo é de 9 km. E como estamos falando de Eslovênia, nem pense em um trajeto plano! Ali é tudo subida e descida mesmo... E, claro, muitas curvas, irmãs inseparáveis do sobe-desce! Por isso, desisti de alugar uma bicicleta. Então me restavam duas alternativas: 1- Pegar um taxi que custa 30 euros pra ir e voltar; 2 – pedir carona.
   Adivinha? Fui pegar carona, claro!!!
  Não demorou muito para um casal de viajantes (uma estadunidense e um italiano gato) pararem. A conversa no caminho foi muito animada e os 9km passaram rápido.
No verão (junho a setembro) o ingresso de 30 euros inclui o traslado entre os dois pontos. Pegar carona foi muito mais legal!


Predjama Castle (Predjamski Grad)


Entre um arco de pedra e um penhasco, o Castelo de Predjama impressiona pela sua grandeza!



Uma das coisas que eu mais queria ver no país era esse castelo – imponente e belo, ele é uma das maiores atrações eslovenas.

Construído em estilo Gótico pelo Patriarca de Aquileia no século 13, ele foi mencionado pelao primeira vez nos registros historicos n ano de 1274. Construído abaixo de um arco de pedra e sobre um penhasco de 123m te altura, o local era estrategicamente seguro para abrigar seus moradores, mas no quesito conforto deixava bastante a desejar. Suas paredes se confundem com os blocos de pedra da caverna, e não parecia ser nem um pouco aconchegante, especialmente no inverno.


Paredes que se confundem com a própria caverna

O único Castelo que vi com essa entradinha tipo Castelo de Grayskull (do He-Man): A-DO-REI!


O ribeiro Lovek, visto de dentro do Castelo

A visita dura cerca de 2 horas e no ingresso está incluído o Guia de Áudio, que dentre outras línguas tem Inglês e Espanhol. Eu peguei o de Inglês mas no final pedi pra me emprestarem um configurado em Espanhol pra poder ouvir um ou dois áudios que ficaram pra trás sem entendimento. E valeu a pena!


Ah, dentro do Castelo não tem água pra beber nem banheiro (só o famoso banheiro onde o Erazem foi assassinado, mas infelizmente nem aberto pra visitação ele está). Resolva isso na entrada pra não ter que descer e subir todas as escadas do Castelo numa emergência. É difícil dali de dentro com pressa, hein!



Erazem de Predjama


O mais importante ocupante do castelo foi o lendário Erazem de Predjama, um guerreiro que viveu ali no século 15. Ele era uma espécie de Hobin Wood que foi fugiu para Predjama para não ser punido por de ter matado um parente do Sagrado Imperador Romano Frederico III. Lá se aliou ao rei Matthias Corvinus, da Hungria, para começar a atacar o Estado de Habsburgo. Erazem foi assassinado devido a uma delação de um funcionário do Castelo, mas antes levou a fama de ter pactos sobrenaturais quando o castelo passou meses cercado e seus habitantes não morreram de fome. O segredo foi descoberto muito tempo depois: uma passagem secreta na parte traseira do castelo conduzia a um pomar onde se coletavam frutas frescas!

A passagem secreta de Erazem

Serviço

Como chegar (de ônibus): 
De Ljubljana: 1h20m de viagem (€ 7,90)
De Trieste (Itália): aprox. 1 hora de viagem (não consegui saber o valor)

Como ir de Postojna para as atrações:
Karst Museum - caminhada de 200m da estação rodoviária
Caverna - 1 km de caminhada a partir do Centro de Postojna
Castelo - 9 km da Caverna.
No verão há traslado incluído no ingresso.
Outras épocas: carona ou taxi (€ 30 ida e volta, e o taxista fica te esperando)

Onde comer:
Na cidade de Postojna há uma grande variedades de comida e lanches.
Na Caverna há também bastante restaurantes
No Castelo as opções são mais escassas, tem apenas uma lojinha com salgadinhos básicos e bebidas

Onde ficar: 

Em Postojna há uma boa estrutura de hotelaria e pelo menos dois Hostels.

Ingressos:
Caverna de Postojna - € 23,90
Castelo de Predjama - € 11,90
Combo Caverna + Castelo (inclui traslado no verão - verificar datas exatas) - € 31,90

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Bohinj


Eu fiquei interessada em conhecer Bohinj quando estive em Bled e me disseram que o lago era ainda mais bonito do que Bled, e que lá também tinha um canion (Mostica Gorge) lindíssimo. Tudo isso faz parte do Parque Nacional Triglav (lê-se Tríglau).

Pois bem, quando eu resolvi ficar mais um tempo na Eslovênia, Bohinj se tornou meu foco. Depois de ir a Munique pra participar de um seminário e dar um pulo em Salzburgo (Áustria) na volta, eu segui pra Bohinj, mas como já era tarde e eu fiquei insegura sobre a hospedagem, resolvi parar em Bled porque lá eu já conhecia os hostels e tinha certeza de que saberia me virar àquela hora. Bled é mais turístico do que Bohinj, por isso um pouco mais estruturado.



No dia seguinte, de manhã, segui pra Bohinj, em uma viagem de ônibus ( 3,6) de 30-40 minutos por belas paisagens. Chegando lá, desci do ônibus logo no primeiro ponto junto ao Lago, avistando de imediato um monumento aos 4 bravos homens que primeiro chegaram ao topo do Monte Triglav – o mais alto da Eslovenia, com 2.864m.

Foi o mais perto que pensei que chegaria dos Alpes Julianos! Mas depois a vida me surpreendeu.

Logo na chegada, apercebi que a estrutura do local é muito boa, com cafés, restaurantes e lojas para alugar caiaques, pranchas de Stand Up, bicicletas e outras coisas que seriam muito interessantes se já não fosse outono.

Primeiramente, li as plaquinhas sobre os bravos eslovenos e aprendi que o topo do Triglav foi visitado em 1778, antes do Mont Blanc, na Suíça (o monte mais alto da Europa) e do Everest (Ásia, o monte mais alto do mundo), e que quem financiou esta empreitada foi um empresário de mineração, na esperança de que os gajos encontrassem metais para alimentar suas produções. Por sorte os metais não foram encontrados e o Tiglav ainda está lá, belo e formoso!

Na sequência fui dar uma olhada na charmosa Igreja de São João Batista (que segundo a plaquinha, é a mais fotografada da Eslovênia! Será???).




No ponto de Informações Turísticas me informei do que o lugar tem a oferecer, então vamos lá que vou abrir o jogo:

- Slap Savica – Slap significa cachoeira; acabei não visitando

- Vogel – um ponto 1.500m de alttude que no inverno é uma grande estação de esqui. Chega-se até lá por um teleférico (€ 14)

- Mostnica Gorge – um canion que dizem que é mais bonito do que Vintgar. A verdadeira razão de eu ter ido àquela região, mas acabei não chegando lá

- O lago Bohinj em si

- Os Alpes Julianos, cadeia montanhosa que se vê por toda parte que é linda de morrer!

Neste primeiro dia acabei ficando por ali, dei uma voltinha pra admirar o lago e caminhei até Stara Fužina (lê-se Fugina), região onde se localiza Mostnica Gorge (lê-se Mostnitza). Pensei que eu ia chegar lá, mas não cheguei. Como não decorei o nome do lugar que eu queria ir e lá poucos falam inglês, não consegui informações apropriadas.
Essa história eu vou contar em uma postagem a parte, pra não cansar quem só está interessado nas dicas. Aliás, uma dica é: decore o nome do lugar, porque lá as placas e informações são escassas. Mas tem um outro ponto de informações turísticas ali, visite-o e informe-se (coisa que eu não fiz).

Stara Fužina



Lugar cuo nome esqueci, onde fui arar depois de 1 hora de caminhada



VOGEL

No dia seguinte, vivi uma outra aventura que vou relatar relatada aqui e cheguei ao Vogel, aquela estação de esqui que já citei.
Trata-se de um ponto a 1500m de altitude, de onde se pode subir mais uns 250m andando e, se você der sorte, a temperatura pode cair e você vai ver neve. Aconteceu comigo, e foi simplesmente uma das experiências mais marcantes da minha viagem! Eu vi neve... pela primeira vez!







No topo da subida tem um restaurante com vista panorâmica e pode-se ver o Triglav de muito pertinho! Dá pra imaginar o quanto eu fiquei feliz vendo aqueles três picos cobertos de neve bem pertinho de mim? Ah, sem contar a deslumbrante vista que se tem do Lago Bobinj, que no começo estava coberto de nuvens densas e depois elas foram passear pra deixar a gente admirar aquela lindeza toda.

É absolutamente indescritível aquilo tudo. Sem dúvida, uma viagem à parte.

E como eu fui no mês de outubro e encontrei todo um clima propício, minha tendência é pensar que esta é a melhor época, que tem algumas vantagens: está frio, mas não tanto; não tem tanto turista; o outono tem cores lindas. A menos que você queira mesmo esquiar, aí te recomendo o inverno, claro!
A título de comparação, como eu estive em outros dois lugares que são também estações de esqui, este certamente é o melhor – uma pista de maior extensão e uma ótima estrutura. Eu fiquei em uma casa enorme de 3 andares que abriga 30 pessoas. Abaixo há maiores informações.



SERVIÇO:
Como chegar: De ônibus, de carro.
Vindo de Bled a viagem dura 30-40 min.
De Ljubljana, 2 horas.

Ingresso do teleférico VOGEL/Ida e volta:
Adulto:14,00 €/ Criança: 9,00 / Senior: 12,00 

Onde ficar:
Em Vogel só conheço um lugar, casa bem estruturada para 30 pessoas.
Em Bohinj há várias opções de hostels e Guest Houses.
Em Stara Fužina também há algumas opções.

Onde comer:
Em Bohinj há vários restaurantes, especialmente no verão, mas alguns continuam em funcionamento em outras estações.
Em Vogel há um restaurante na estação do teleférico.
Em Stara Fužina também há algumas opções.

Vintgar Gorge

Fui a Vintgar completamente desavisada. Acordei de manhã em Bled e resolvi alugar uma bicicleta, perguntando ao rapaz que me alugou se ele sugeria algo pra eu visitar, quem sabe uma cachoeira ou algo assim. Ele me disse que tinha um lugar chamado Vintgar a cerca de 3 km dali que era muito bonito e tinha uma cachoeira. Resolvi ir.



O trajeto por si só, como tudo na Eslovênia, já foi um desbunde, com vistas dos Alpes por todos os lados. Mas por um momento desconfiei da minha habilidade pra chegar lá, porque o cara me disse que o trecho era plano (mas Eslovenos são seres da subida, então sempre é bom desconfiar quado eles disserem que é “flat”). Mas tudo bem, a subida é muito leve, mas constante. Sobrevivi! E quando cheguei...



Triglavski Narodni Park: estamos no Parque Nacional do Triglav

Bem, primeiramente, pra entrar em Vintgar é preciso comprar um ingresso que custa 4. Estacionei a bike num bicicletário lotado e adentrei o parque, sem fazer ideia do que me aguardava. A medida que eu avançava na paisagem, ia ficando mais e mais surpresa. É simplesmente lindo! Uma experiência única, mágica, inesquecível pra mim, que nunca tinha visto esses desfiladeiros e nunca tinha estado perto de formações rochosas tão altas! Saí de lá com uma certeza: é o lugar mais lindo que já vi na minha vida!


Adoro a cor das águas da Eslovênia!

Gorge significa Desfiladeiro, ou Garganta (geologicamente falando), em inglês. O lugar foi descoberto em 1891 e logo iniciou-se sua exploração turística, que atualmente cresce a cada ano. E também não é pra menos: nos seus 1,6km de beleza, com o Rio Radovna passando entre as montanhas rochosas Hom e Bort, a cada passo dado é um deslumbramento.

Existem duas entradas para a atração: uma pela cachoeira e outra no sentido contrário, que foi onde eu entrei.

Todo o trajeto é sobre pontes de madeira ladeando as rochas, e a cada metro andado uma nova paisagem deslumbrante se descortina. Quando eu pensava que a fenda estava acabando, ainda via mais e mais curvas de pedra a minha frente.


Sem contar com as águas do Radovna, que tem aquele tom típico das águas da Eslovênia, um verde translúcido que me impressionou e encantou muito. Em um ponto do trajeto próximo do fim, você vai passar debaixo de um arco de pedra de cruza a trilha a 33,5m de altura. O arco faz parte do trajeto do trem de Bohinj, foi construído em 1906 e parece estar desativado.

Chegando ao fim do caminho, uma cachoeira de 13m nos brinda com sua discreta beleza. Eu confesso que, como cuiabana que sou, crescida entre as 'cachus' da Chapada dos Guimarães,  não me encantei especialmente com a cachoeira... Mas “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” - como já dizia Pessoa - especialmente porque cachoeira de um lado e Alpes Julianos do outro não é pra qualquer um, né...



Apesar de o caminho ser o mesmo, a ida e a volta são passeios diferentes, por causa do ângulo em que se vê a mesma coisa. Também é posível não fazer ida e volta, se você tiver como sair dali pelo outro lado. Vi grupos de excursão que o ônibus deu a volta e os pegou lá na cachoeira (um alívio, porque gente demais, sabe como é, né...).

Pra finalizar este meu relato, só vou te fazer três recomendações:
1.       Não deixe de ir. Vintgar é incrível!!!
2.       Não vá com pressa. A riqueza de detalhes é tão grande que mesmo que você não seja uma pessoa tão contemplativa quanto eu, seus olhos e seu coração vão te pedir pra dedicar mais atenção ao formidável espetáculo da natureza que você está presenciando.
3.       Lixo é no lixo, né? Respeite o santuário que você está pisando e leve embora com você o que não combina com a natureza.

Só pra fechar, uma informação pra você que está lendo entender o quanto eu gostei de Vintgar: já quase no final do trajeto de volta, resolvi uma coisa: cancelei a minha ida a Barcelona, que seria uma semana depois, porque eu t-i-n-h-a que ficar mais tempo naquele país que é tudo de bom! Se você ler os róximos relatos vai entender porque esta foi a melhor escolha da minha viagem. 
Fato é que, já no restaurante que parei pra comer antes de voltar pra Bled, eu pedi a senha do WiFi e cancelei a minha reserva de hospedagem. Sorte que eu não tinha comprado as passagens, porque ia perder ainda mais dinheiro!!!

Eu não gosto de criar expectativas sobre alguma coisa, porque geralmente a frustração é grande. É possível que você não se impressione tanto quanto eu... Mesmo assim, faça seu relato nos comentários!

Aqui seguem umas imagens dessa aventura:





SERVIÇO
Onde fica: a 4 km de Bled
Como chegar:
- de ônibus convencional (tem um saindo de Bled, mas não tenho maiores informações a respeito);
- de carro;
- de bicicleta: pedalada leve, com leve e constante subida na ida, um pequeno trecho mais íngreme. Na volta, o início é bem puxado mas é fácil empurrar a bike, em compensação depois quase não se pedala até chegar a Bled.
Ingresso: 4 euros
Pra comer: nas entradas da atração tem snacks, cerveja e água à venda. Próximo à entrada oposta à cachoeira tem um restaurante muito bom e, pra variar,  barato.
Onde ficar: Vi que tem uma Guest House no mesmo restaurante onde comi
Site oficialhttp://www.vintgar.si/gorge.html (versão em inglês)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Bled


Está na dúvida se inclui Bled no seu roteiro? Sai dessa!
Se estiver muito frio, pega um casaco e vai.

Se estiver chovendo, arruma um guarda-chuva e vai.

Se estiver muito calor, pega um biquíni (ou sunga) e vai!

Bled é uma cidade encantadora a Noroeste da Eslovênia, e tem um lago e um castelo de mesmo nome.

Quando se pesquisa sobre o país, esta é a primeira imagem que aparece:


Ilha de Bled vista do Castelo



Castelo de Bled visto da beira do Lago


Eu tinha conhecido no dia anterior um brasileiro, o Filipe Rangel, e o convidei pra ir comigo. Pegamos um ônibus em Liubliana e em 1h10m de paisagens belíssimas, estávamos lá.

Chegando na cidade, a sinalização não é lá muito boa, e algumas das placas não se preocupam em falar inglês, e como eu ainda não aprendi a falar esloveno, ler a placa não ajudava em nada! Demos voltas e voltas e incorporamos uma coreana à nossa dupla de perdidos. Éramos agora um trio de perdidos! Demoramos pra nos situar, mas quando entendemos que GRAD significa Castelo, seguimos as placas e chegamos.

Só depois de entender que GRAD é Castelo é que encontramos essa placa!




Subimos pela escada até o Castelo e perdemos o fôlego com a vista que se tem de lá de cima!



O Castelo de Bled é um monumento cultural a 638m de altura incrustado numa rocha que emerge ao lado do Lago. Seus primórdios datam do ano 1011 d.C., mas a sua configuração atual vem do séc. 16.

Dentro do Castelo, além da vista impressionante e imponente que se tem do lago e arredores - inclusive os Alpes Julianos -, há um complexo formado, dentre outras, coisas, por um Museu, onde se vislumbra um pouco da história do local (que remonta à pré-história), uma loja de souvenirs, restaurante com vista panorâmica e uma galeria onde se encontra uma réplica da máquina de Gutemberg, onde o próprio imprime "diplomas" com o nome e a imagem que você escolher em papel feito manualmente. Custa € 8 e eu consegui resistir à tentação de gastar essa grana!




No restaurante maravilhoso de vista panorâmica, tomamos um café e comi a famosa Torta de Creme de Bled - Kremšnite Bled, deliciosa tradição local.

O mais interessante do Castelo é que há toda uma caracterização pra gente se sentir na idade média, com adornos característicos da época. Impossível não se transportar para outros tempos - a não ser que o local esteja cheio de turistas chineses, que são descarregados em bandos de ônibus lotados, como foi o caso do dia em que estávamos lá.







Depois do café, meus companheiros foram embora e eu fiquei pra ver outras coisas. Depois desci pelo caminho dos carros, tendo vistas muito legais do castelo cada vez que esticava o pescoço pra procurá-lo. Mas se você vai pegar o ônibus de volta, desça pela escada mesmo, porque fica mais perto da estação.



Como não sou o tipo de viajante se contenta em olhar e ir embora, fiquei em Bled por duas noites. As opções de hostels e hotéis e é muito grande e a dica é ficar perto do lago. Eu fiquei em um do outro lado da ladeira e me arrependi um pouquinho, embora o pessoal do George Best seja muito gentil e eficiente.

Na primeira noite, saí debaixo de chuva à procura de um restaurante, e encontrei vários abertos, portanto não se preocupe, você não vai passar fome em Bled - só não sei como é no inverno...

A vista do castelo iluminado a noite é muito bonita, bem como o reflexo das luzes na água. Dar uma voltinha por ali vale muito a pena, e a minha sorte foi ter ficado duas noites pra poder curtir bastante o clima romântico da cidade. Tudo bem, eu estava sozinha, e isso não chega a ser romântico, mas fazer o quê? A cidade de Bled é muito charmosa, e andar por ali é sempre muito agradável. 

Pra curtir bem o lugar, a dica é alugar uma bike, que custa cerca de € 12/dia, ou € 6 /3 horas. Eu aluguei duas vezes por 3 horas, primeiro pra ir pra Vintgar, um lugar ma-ra-vi-lho-so que vou fazer uma postagem especial e posto o link aqui.

A segunda vez foi para dar uma volta ao Lago, um passeio de 6km que pode durar 30 minutos ou, no meu caso, duas horas, porque as paisagens são des-lum-bran-tes e eu não consegui andar mais do que 500 metros sem parar pra contemplar, tirar fotos... e chorar um pouquinho de tanta emoção!

Veja um vídeo curtinho sobre essa volta.





O visual é realmente estonteante, e em uma volta completa se pode avistar a ilha, o castelo, os Alpes por diversos ângulos e em diversos agrupamentos visuais, o que possibilita uma múltipla percepção daquela grandiosidade de paisagem.
E pensar que tem gente (vi muitos muitos chineses, principalmente!) que passa correndo, 40 segundos, tira foto e vai embora. Que tipo de relação é essa? O que a pessoa leva pra vida de toda essa experiência?
Realmente, isso não me pertence, mas...

Bem, outra coisa muito interessante que se pode fazer é ir até a ilha que fica no meio do lago - a única ilha natural do país e há quem diga que é considerada a mais bonita do mundo. Apesar de ter ficado lá 2 dias, não fui até lá. Mas sei que de lá se te uma vista maravilhosa. Há 800 anos, havia um pequeno santuário dedicado à deusa Giva, a deusa pagã considerada a deusa da Vida. Depois ela foi transformada numa igreja católica e dessa forma ela existe desde o século 16.
É possível chegar lá de barco sem motor (uma lei protege o lago de qualquer poluição e vou confessar uma invejinha: ah, vontade de ter lei assim no Brasil inteiro!), e você pode alugar um barco para um passeio romântico ou entre amigos (€15), ou pode se juntar a uma embarcação genérica e esperar formar um grupo para ir.

Sítios Arqueológicos
Bled tem muitos sítios arqueológicos, vale a pena conhecer melhor essa história (vou ficar te devendo!).




Como chegar
Eu fui de ônibus porque o ponto final dele é bem pertinho do Lago, ao contrário do trem que para mais longe. A viagem vindo de Ljubljana dura cerca de 1 hora e nem preciso dizer que passa por paisagens incríveis, né. A passagem custa € 7,80.