quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Bled


Está na dúvida se inclui Bled no seu roteiro? Sai dessa!
Se estiver muito frio, pega um casaco e vai.

Se estiver chovendo, arruma um guarda-chuva e vai.

Se estiver muito calor, pega um biquíni (ou sunga) e vai!

Bled é uma cidade encantadora a Noroeste da Eslovênia, e tem um lago e um castelo de mesmo nome.

Quando se pesquisa sobre o país, esta é a primeira imagem que aparece:


Ilha de Bled vista do Castelo



Castelo de Bled visto da beira do Lago


Eu tinha conhecido no dia anterior um brasileiro, o Filipe Rangel, e o convidei pra ir comigo. Pegamos um ônibus em Liubliana e em 1h10m de paisagens belíssimas, estávamos lá.

Chegando na cidade, a sinalização não é lá muito boa, e algumas das placas não se preocupam em falar inglês, e como eu ainda não aprendi a falar esloveno, ler a placa não ajudava em nada! Demos voltas e voltas e incorporamos uma coreana à nossa dupla de perdidos. Éramos agora um trio de perdidos! Demoramos pra nos situar, mas quando entendemos que GRAD significa Castelo, seguimos as placas e chegamos.

Só depois de entender que GRAD é Castelo é que encontramos essa placa!




Subimos pela escada até o Castelo e perdemos o fôlego com a vista que se tem de lá de cima!



O Castelo de Bled é um monumento cultural a 638m de altura incrustado numa rocha que emerge ao lado do Lago. Seus primórdios datam do ano 1011 d.C., mas a sua configuração atual vem do séc. 16.

Dentro do Castelo, além da vista impressionante e imponente que se tem do lago e arredores - inclusive os Alpes Julianos -, há um complexo formado, dentre outras, coisas, por um Museu, onde se vislumbra um pouco da história do local (que remonta à pré-história), uma loja de souvenirs, restaurante com vista panorâmica e uma galeria onde se encontra uma réplica da máquina de Gutemberg, onde o próprio imprime "diplomas" com o nome e a imagem que você escolher em papel feito manualmente. Custa € 8 e eu consegui resistir à tentação de gastar essa grana!




No restaurante maravilhoso de vista panorâmica, tomamos um café e comi a famosa Torta de Creme de Bled - Kremšnite Bled, deliciosa tradição local.

O mais interessante do Castelo é que há toda uma caracterização pra gente se sentir na idade média, com adornos característicos da época. Impossível não se transportar para outros tempos - a não ser que o local esteja cheio de turistas chineses, que são descarregados em bandos de ônibus lotados, como foi o caso do dia em que estávamos lá.







Depois do café, meus companheiros foram embora e eu fiquei pra ver outras coisas. Depois desci pelo caminho dos carros, tendo vistas muito legais do castelo cada vez que esticava o pescoço pra procurá-lo. Mas se você vai pegar o ônibus de volta, desça pela escada mesmo, porque fica mais perto da estação.



Como não sou o tipo de viajante se contenta em olhar e ir embora, fiquei em Bled por duas noites. As opções de hostels e hotéis e é muito grande e a dica é ficar perto do lago. Eu fiquei em um do outro lado da ladeira e me arrependi um pouquinho, embora o pessoal do George Best seja muito gentil e eficiente.

Na primeira noite, saí debaixo de chuva à procura de um restaurante, e encontrei vários abertos, portanto não se preocupe, você não vai passar fome em Bled - só não sei como é no inverno...

A vista do castelo iluminado a noite é muito bonita, bem como o reflexo das luzes na água. Dar uma voltinha por ali vale muito a pena, e a minha sorte foi ter ficado duas noites pra poder curtir bastante o clima romântico da cidade. Tudo bem, eu estava sozinha, e isso não chega a ser romântico, mas fazer o quê? A cidade de Bled é muito charmosa, e andar por ali é sempre muito agradável. 

Pra curtir bem o lugar, a dica é alugar uma bike, que custa cerca de € 12/dia, ou € 6 /3 horas. Eu aluguei duas vezes por 3 horas, primeiro pra ir pra Vintgar, um lugar ma-ra-vi-lho-so que vou fazer uma postagem especial e posto o link aqui.

A segunda vez foi para dar uma volta ao Lago, um passeio de 6km que pode durar 30 minutos ou, no meu caso, duas horas, porque as paisagens são des-lum-bran-tes e eu não consegui andar mais do que 500 metros sem parar pra contemplar, tirar fotos... e chorar um pouquinho de tanta emoção!

Veja um vídeo curtinho sobre essa volta.





O visual é realmente estonteante, e em uma volta completa se pode avistar a ilha, o castelo, os Alpes por diversos ângulos e em diversos agrupamentos visuais, o que possibilita uma múltipla percepção daquela grandiosidade de paisagem.
E pensar que tem gente (vi muitos muitos chineses, principalmente!) que passa correndo, 40 segundos, tira foto e vai embora. Que tipo de relação é essa? O que a pessoa leva pra vida de toda essa experiência?
Realmente, isso não me pertence, mas...

Bem, outra coisa muito interessante que se pode fazer é ir até a ilha que fica no meio do lago - a única ilha natural do país e há quem diga que é considerada a mais bonita do mundo. Apesar de ter ficado lá 2 dias, não fui até lá. Mas sei que de lá se te uma vista maravilhosa. Há 800 anos, havia um pequeno santuário dedicado à deusa Giva, a deusa pagã considerada a deusa da Vida. Depois ela foi transformada numa igreja católica e dessa forma ela existe desde o século 16.
É possível chegar lá de barco sem motor (uma lei protege o lago de qualquer poluição e vou confessar uma invejinha: ah, vontade de ter lei assim no Brasil inteiro!), e você pode alugar um barco para um passeio romântico ou entre amigos (€15), ou pode se juntar a uma embarcação genérica e esperar formar um grupo para ir.

Sítios Arqueológicos
Bled tem muitos sítios arqueológicos, vale a pena conhecer melhor essa história (vou ficar te devendo!).




Como chegar
Eu fui de ônibus porque o ponto final dele é bem pertinho do Lago, ao contrário do trem que para mais longe. A viagem vindo de Ljubljana dura cerca de 1 hora e nem preciso dizer que passa por paisagens incríveis, né. A passagem custa € 7,80.

sábado, 3 de outubro de 2015

Parque Tivoli

Mestni park Tivoli / Tivoli Park

Dei a imensa sorte de ficar hospedada bem pertinho do Parque Tivoli, que na verdade era o meu caminho pra ir do flat pra a cidade velha, o castelo, enfim, quase tudo. Em cada ida ao centro, eu explorei um trechinho do parque.




Um dia, eu sai tão tarde de casa - porque estava resolvendo a hospedagem dos próximos destinos - que eu resolvi que ia ficar pelo parque a maior parte do meu tempo, já que não ia dar pra muita coisa antes do horário do espetáculo de teatro de sombras que eu queria ir assistir.

O Parque Tivoli é o maior parque da cidade, extendendo-se por nada menos que 5km² de muita natureza, jardins belíssimos, árvores muito altas formando lindos caminhos que no outuno são multicoloridos com predominância de tons marrons. No complexo do parque encontra-se o Jardim Botânico e a Castelo Tivoli e o Museu Nacional de História Contemporânea, que desde 1951 esta abrigado na Cekin Maison, um prédio construído em 1720 em estilo barroco.

Jardim Botânico

Castelo Tivoli
  


Do parque se tem uma bela vista do Castelo de Lubliana, assim como de la de cima se ve o Castelo Tivoli e as arvores ao redor.

Castelo de Ljubljana visto do Parque Tivoli



O parque é cheio de caminhos para se caminhar e todos eles trazem lindas paisagens. Bom pra namorar, ler, praticar a apreciação de nuvens, tem pistas para patins, quadras de tênis e, claro, uma ótima ciclovia!

Pros apreciadores de Parkour, tem um pequeno circuito pra treinos. Em uma das minhas mais passagens pelo parque vi uns rapazes treinando e, depois de muito hesitar, fui lá puxar conversa e entender um pouco daquilo. e diverti muito aprendendo os primeiros passos do esporte - não me sai muito bem, mas que foi divertido, foi!



Do parque Tivoli se chega muito facilmente à Old Town, as margens do Rio Ljubljanska, onde uma série de atrativos aguardam por turistas ávidos por conhecer esta cidade que é conhecida como a Veneza do Oeste Europeu. Mas isso é assunto para uma outra postagem...

O que aprendi colhendo peras na Eslovênia


A escrever

Velika Planina, a Grande Montanha


A minha anfitriã eslovena, Alenka, me convidou para subir a montanha com ela e mais dois amigos - adivinha de onde? Do Brasil!
A montanha fica na direção norte da Eslovênia, e sua base fica em Kamnik, uma cidadezinha bem bonitinha, como todas no país, a cerca de 1 hora de Lubliana (Ljubljana em Esloveno).
Já no caminho me deslumbrei com as paisagens... Me senti nos Alpes!





Chegando em Kamnik, pegamos um teleférico que sobe  a uma altitude de 1.400 metros e chega a uma estação de esqui que já nos oferece um visual que dispensa comentários.








Por ali mesmo nos instalamos em um chalé pequenininho e charmoso. Não sem antes levar nossos suprimentos para dois dias na montanha - caixas e caixas com comida, vinho e água (em geral aqui na Europa a água de qualquer torneira é potável. Mas pra subir a montanha tivemos que apelar pras infames garrafas de plástico com água supostamente mineral!).


No início da noite aconteceu algo mágico!
Eu, que sou de Cuiabá, a cidade mais quente do Brasil, apesar de atualmente morar em Santa Catarina, nunca vi neve na vida. E qual não foi a miha surpresa ao perceber que uns floquinhos branquinhos estavam caindo do céu em pleno começo de outono? Ah, parecia uma criança!

Do lugar onde ficamos hospedados até o topo da montanha subimos mais 266 m, uma caminhadinha puxada que os eslovenos adoram... E foi esse o nosso programa da manhã seguinte!


Lá, quase no topo, encontramos o grande charme da Velika Planina: as casinhas onde os pastores de Kamnik levam seus animais durante o verão, ficando lá toda a estacão com os bichinhos, principalmente vacas e ovelhas, que tem bom pasto, ar fresco e muito espaço pra passear. As casinhas são à moda antiga, sem estrutura de eletricidade e saneamento. Lá é possível comprar queijo e leite fresco e cada casa tem uma plaquinha dizendo o que se encontra pra comprar ali. Como chegamos no inicio do outono, não vimos nada além das casinhas fechadas.




Além das casinhas que são um charme, por ali também há, segundo as plaquinhas, um Museu dos Pastores e também uma Capelinha, mas o ventinho gelado não convidava para mais uma caminhada... Fica pra próxima, ou se você que está lendo for até lá, me diz como é!

Eu gostaria de saber que montanhas são aquelas que se vê dali, mas ainda não consegui informações a respeito. Só sei que o visual é deslumbrante, onde quer que se olhe a paisagem enche os olhos e a alma!



No inverno, Velika Planina fica cheia de neve e, claro, de gente pra esquiar. Quem sabe um dia eu volto pra ver!

domingo, 27 de setembro de 2015

WWOOF


Minha experiência na Eslovênia começou na região Leste do País, em uma Fazenda Orgânica chamada Kostanje, na cidadezinha de Sevnica (pronuncia-se "Sêunitza").

A ideia de fazer WWOOFing (World Work Oportunity in Organic Farms - Oportunidades de trabalho em Fazendas Orgânicas) surgiu de uma mistura de vontades:
- após passar por Berlim, Praga e Budapeste, meu HD estava cheio de informações e prestes a perder a capacidade de absorção de aprendizado, apesar de eu ser uma slow traveller, entao eu planejei um tempo pra parar e respirar com calma
- estar em contato com a natureza
- aprender mais sobre o cultivo de orgânicos
- vivenciar de uma maneira diferente - mais simples e intensa - a cultura do país
- economizar dinheiro, uma vez que a proposta do WWOOF é trocar trabalho por hospedagem, alimentação e aprendizado.

A Eslovenia tem aproximadamente 37 fazendas cadstradas no site wwoofindependents.org, onde eu tive que me inscrever, pagar uma taxa de US$ 23 para ter acesso aos perfis das fazendas e me candidatar ao trabalho. Entrei em contato com muitas fazendas e todas me aceitaram. Escolhi esta porque parecia ter a melhor paisagem para apreciar - o que era um dos meus objetivos na Eslovenia em geral.

Passei duas semanas lá, e foi uma experiência incrível!



O dia de trabalho começava por volta das 9h, e os planos não eram previamente definidos. Tudo dependia do clima e das necessidades do momento. Tive o dia da pera, o dia do tomate, dia do milho, da soja... mas o mais especial foi o dia da uva! Grape day, great day! O dia começou com a colheita das uvas. Tudo sempre com muitas risadas, não sei de onde encontrávamos tanto motivo pra rir! Depois de colher, Colocar na máquina especial para fazer o suco, que montamos mais cedo. E depois, beber o suco, celebrando o dia feliz e quente que tivemos. E bota quente nisso! Muito sol, parecia que eu estava no Brasil! Ah, e pra fechar o dia, um banho de mangueira durante a lavagem dos equipamentos caiu muito, muito bem!

Tilen e Borut, duas gerações da fazenda Kostanje no preparo do suco de uva

Uma dose celebrativa de suco de uva cheio de amor e risadas






Local onde as peras terminavam de amadurecer, porque elas caiam do pé mas ainda não estavam prontas

Soja
No tempo que eu estava na Kostanje, trabalhei diretamente com um alegre e inteligente rapaz dinamarques, que se tornou um amigo muito especial, um irmão do coração. Passamos muitos dias trabalhando juntos, às vezes sozinhos, conversando muito e um aprendendo sobre a cultura e os pensamentos do outro. Aprendi muito sobre a Dinamarca - uma das coisas é que não é verdade aquela história de que toda a produção agrícola do país é orgânica.

Trabalhamos muito na função de colher peras, separar as verdes, as maduras no ponto pra ir pro barril e virar licor pro ano que vem, e as que tinham fungos e precisavam ser isoladas e queimadas, evitando assim que contaminassem o solo e as árvores. Esta foi a tarefa que mais se repetiu no tempo que estivemos lá.
Essa história de separar peras, muitas delas com fungos, me possibilitou refletir muito sobre potencial, realização e desperdício. Escreverei sobre isso em outro post.

Peras e seus fungos que me permitiram pensar em educação e evolução pessoal

Um dia resolvi gravar uns vídeos pra enviar pra minha sobrinha Sofia e minha afilhada Lavínia, pra mostrar um pouco da experiência da tia/dinda como 'trabalhadora rural'. Vou compartilhar alguns assim que conseguir fazer o upload.










A fazenda Kostanje fica a 450m de altitude. É bom dizer que a Eslovenia tem uma geografia bem montanhosa, e quase não se tem relevo plano.
Com isso, sempre se tem visuais deslumbrantes! Imagina o que é, por exemplo, acordar com este visual!



E terminar com um por do sol destes! Acredite, ao vivo foi muito incrível! A câmera do celular é que não dá conta de tanta beleza...



Ali pelas imediações da fazenda, subindo mais uns 50m de altitude, encontramos ainda outras belas e simples paisagens.






E pra fechar esta postagem, homenageio este ser lindo, um bebê de 1 ano e meio, a cadela Odi, que sempre estava disposta a brincar, atrapalhar o nosso trabalho e trazer alegria pra labuta diária!




Sou muito grata por tudo o que vivi na fazenda Kostanje, com esta família acolhedora: Lucia, Borut, Tilen e sua namorada Marina, e a mãe do Borut, uma simpática senhorinha de 90 anos. Abraço pros outros WWOOFers Jame do Canadá e em especial o Mikkel, com quem convivi mais tempo.

Quando entrei no trem a caminho de Lubliana, o que me restou rofam lágrimas de gratidão. O trecho da musica de Mercedes Sosa, que diz: Gracias a la vida, que me ha dado tanto, mais uma vez ecoou durante muito tempo dentro de mim.